quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Assim segue a receita,
De tudo que me completa
De tudo que lembra ela.
Do pão, da mortadela
Do pirão, da moqueca,
Que engulo com a boca quieta,
Ela, ela , ela.
Um bolo, um churrasco,
Um arroz, camarão,
E ela, um carrasco
Doce de solidão.
Da galinha o coração,
Nescau, chimarrão
E o doce de leite.
E ai de quem queixe,
A saudável pitada,
Doce ou amarga,
Da dúvida.



Caio Vargas

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Simona


''Hei, você, do jeito triste,
faz de conta que mudou
Alegria ainda existe,
porque hoje é domingo e já raiou''

Tibério Gaspar / Antônio Adolfo

terça-feira, 19 de maio de 2009

Feio cotidiano.



E o 'feio', o abstrato,
No falado, no papel, no retrato,
As vezes é melhor, necessário.
Que quebra o gelo, e o elo,
E o dedo, não nego, me dói.
Que tenta, e constrói
O que for, no branco,
Se for flor, barranco,
Se for sorriso ou pranto,
Se foi -e já foi- meu pranto.
O que sair eu leio,
Ainda que patético.
Ainda que não veja que o 'feio',
Tem lá seu valor poético.

Caio Vargas

domingo, 10 de maio de 2009

Estranho

A aurora reversa cai,
E os rostos amanhecem
Cansados, rudes, molhados.
E não se aquecem,
Quando verdadeira aurora,
Traz por de trás o dourado, e raro,
Permanecem com o triste
Estampado, nos rostos malhados,
Me sinto estranho, ilhado.
E os dias seguem assim, por aqui.

Caio Vargas

sábado, 2 de maio de 2009

Duo sorriso.

Na foto o branco confunde,
E na visão de quem vê,
Hora branco, hora amarelo,
O branco, ou amarelo, te unge.

E te deixa marcas, flagelo.
Que te possui quase sempre,
Mas as vezes, te surpreende,
E te escapa um sorriso amarelo.
Mas é quase certo plangência,
E te invade, com paciência,
E te leva, sã consciência,
E te faz pensar perplexo,
Como o duplo, do branco, do amarelo,
Acaba pousando em ti, mas nego.

Escapei num triz,
Quando me dei por mim,
Estava fazendo o que nunca fiz,
E acordei, sem dois, sem amarelo,
No fim.

Caio Vargas